![]() |
Um menino empina pipa aproveitando o vento do outono em um dia de frio, onde todo mundo está recolhido por conta do coronavírus |
Dia de frio esse.
Venta lá fora
e a poeira carrega folhas.
Um menino empina pipa.
Um redemoinho confunde o vento.
Na esquina, vai a tarde.
O céu está nublado.
O ar esquecido e longe.
As casas frias fechadas
na periferia
parecem mais solitárias.
Quase ninguém
assiste ao voo da pipa,
quase ninguém.
Um cão fareja o caminho perdido.
Focinho gelado,
orelhas caídas,
olhos tristonhos.
Inadvertidamente, tomba latas
em um sonho quase impossível
de encontrar comida.
Parece perguntar:
quem sabe?
E quem sabe?
Ninguém, certamente.
Com poeira nos olhos,
os planos ficam em redemoinho,
as portas fechadas.
Mas não importam os enganos
nas latas tombadas.
O sonho voa como a pipa
na esquina, na rua, na distância.
A vida também é feita de dias frios.
O cão caminha.
Para onde, ninguém sabe.