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A imagem de Nossa Senhora do Monte Serrat, no alto do bairro da Estação, ostenta o título de segundo maior monumento religioso do Brasil
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Desde muito pequeno eu ouço falar
de uma Salto de lindas cascatas,
de bandos de taperás, de verdes matas,
belezas que levam a nos orgulhar.
Hoje não há mais nada além da bruma:
as cascatas viraram banheira de espuma,
os taperás voaram para sempre,
as matas só existem na imaginação da gente.
Sonho com aquela época de tardes serenas,
de praças floridas, de casas pequenas,
de frutos nas matas com mais sabor,
de noites de mais estrelas, do poema de amor.
Eu cresci com esta cidade, alargando horizontes.
Já sai e já voltei como brincavam nas fontes
os bandos de taperás do passado.
E com o tempo por ela fiquei apaixonado.
Mas tudo mudou demais na minha cidade.
Ela se tornou grande de verdade.
Para onde olhar então, meu Deus,
se aquela beleza desapareceu dos olhos meus?
Eu olho para o meu tempo.
Os antigos versos de louvor têm outro momento.
Vou cantar com eles esta minha terra
porque ela ainda muitas belezas encerra.
Os bandeirantes, faz tempo, foram embora,
mas gente de todas as partes ainda agora
vêm ver se esta cidade continua formosa
e abençoada pela virgem orgulhosa.
Hoje é estância turística, se transformou
para mostrar ao mundo o que o homem criou
e mistura a isso aquilo que Deus lhe deu
para suplantar o que de feio concebeu.
Do passado uma rocha de milhões de anos resiste.
Só em dois lugares do mundo ela existe.
A Moutonnée testemunha uma era antiga
de quando os continentes foram área contígua.
A cidade ganhou parques: um deles aquela pedra envolve,
outro um lago e um terceiro a virgem nos devolve.
A padroeira se estica em 30 metros na Estação e lá do alto
observa, entre triste e esperançosa, a nova Salto.
As lindas cascatas, infelizmente, não mais verás.
Nem as verdes matas, nem os bandos de taperás.
Mas este chão conquistou o Brasil com J. Silvestre
e encantou o mundo com Anselmo e Flávio Pretti.
É de Salto ainda uma empada frita esperta,
que deixa quituteiras da Bahia de boca aberta.
Temos aqui também uma fábrica que faz dinheiro
para todo o país, o continente inteiro.
Nossas belezas são a nossa gente a sonhar.
A cidade cresceu, mas não perdeu a sua história:
os nossos museus guardam-na de boa memória.
Agora como antes Salto é uma terra para se amar.